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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O lance é matar e roubar. Trabalhar é coisa de otário!

ARGUMENTO 1- O auxílio-reclusão é um benefício dado aos dependentes de quem é recolhido à prisão, durante o período em que estiver enjaulado sob regime fechado ou semi-aberto. O valor? R$ 798,30.

Antes de mais nada, devo esclarecer duas coisas: eu acho justo que os dependentes de um presidiário, tenham uma fonte de renda. Filhos não devem pagar pelos erros dos pais e outra coisa é não acho que R$ 798,30 seja um valor alto.

Entretanto, o que vejo como absurdo é que um trabalhador honesto que durante toda sua vida tenha contribuído com a previdência e jamais tenha mijado fora do pinico (ou mesmo molhado a borda ), ao final do mês ganhe apenas um salário mínimo de R$510,00. Quem faz estas contas afinal?

ARGUMENTO 2 -Dia 7 de fevereiro, por volta das 21h30min Dona Rosa Cristina Fernandes voltava de carro para casa com os filhos Aline, de 13 anos, e João Hélio, de 6 anos. Ela parou no semáforo e três homens armados tormaram o veículo de assalto. Ela e a filha foram obrigadas a sair do veículo

Mas, João Hélio não havia conseguido se soltar do cinto de segurança e assim foi arrastado pelo lado de fora do carro por 7km. Os assaltantes sabiam que ele estava lá, tanto que ironizavam os gritos desesperados dos que viram a cena, dizendo que "o que estava sendo arrastado não era uma criança, mas um boneco de Judas", e continuaram a fuga arrastando o corpo do menino pelo asfalto.


Durante o trajeto, João Hélio (de 6 anos, não esqueça) teve o corpo dilacerado. Perdeu vários dedos e a cabeça, que não foi totalmente localizada.


Dia 18 de fevereiro de 2010, leio no terra que Ezequiel Toledo de Lima - um dos assassinos de João Hélio – ganhou a liberdade no dia 10. E que a ONG Projeto Legal, para proteger este rapaz (na época era um puro e inocente menor de idade e hoje com 18 anos ) o ajudou a embarcar para um dos países mais desenvolvidos do mundo com garantia de casa e identidade novas para recomeçar sua vida.


Vale lembrar que foi este boníssimo rapaz que fechou a porta com o cinto de segurança pendurado para o lado de fora, onde João Hélio ficou preso e foi arrastado pelo carro.

Pois é ele fechou a porta pra João Hélio. Mas, para ele todas foram abertas. E não me venham dizer que ele é uma vítima da sociedade que deste papo paunocu eu já estou de saco cheio.

Em um país sério este sujeito estaria preso por mais algumas décadas ou para o resto da vida ou (a melhor opção) no corredor da morte.


Por isto que um amigo meu que está se preparando para migrar sempre diz: "Eu vou largar vocês aí nesta pôrra!"


Tomara que ele não se encontre com o Ezequiel, ou seja lá qual for o nome que ele tenha agora.

6 comentários:

Anônimo disse...

Infelizmente é essa a realidade do nosso país!!!

Anônimo disse...

Pera gente...vai ver se isso existe na realidade...só se for pra família de Arruda...porque para a maioria dos encarcerados a realidade é bem diferente...

com açúcar com afeto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
com açúcar com afeto disse...

"Pátria amada (...) salve, salve!"

Salvar quem? No hino, onde a frase ecoa por milhões de vozes, acredito que a salvação é da pátria amada. Idolatrada.
Casos como o do João Hélio e seu causador (Ezequiel), da demonstração onde o valor de um presidiario é maior que o do trabalhador, que me deixa triste por amar este país.

Anônimo disse...

Esse negócio de "auxiliar famílias", tá chegando no limite da hipocrisia e eu me pergunto: porque eles nao oferecem um trabalho aos presos, mesmo em regime fechado? Assim, seria mais digno reverter o salário recebido à própria família, ou a um outro investimento futuro, para quando o tal sujeito conseguisse a liberdade, no mínimo tivesse em que se apoiar... E tem mais, para que diabos, tanta mão de obra estagnada? Isto é um desperdício sem medidas... "Libertem" a mão de obra desse povo , ponham esses cabras para trabalhar a favor do país, de suas famílias e do exercício da cidadania, levando-os a conhecer o verdadeiro sentido da palavra DIGNIDADE, ainda que com tudo isso jamais alcancem este objetivo... Cansei desse regime assistencialista, acomodado e engessado do Estado... Basta!!!
Lia

Anônimo disse...

Para conhecimento de todos:

O valor de R$ 798,30 é um valor referencial sendo um dos requisitos para a concessão do benefício, ou seja, o último salário-de-contribuição do segurado (vigente na data do recolhimento à prisão ou na data do afastamento do trabalho ou cessação das contribuições), tomado em seu valor mensal, deverá ser igual ou inferior a R$ 798,30.

O recluso que na data do recolhimento a prisão aufere salário igual ou acima de R$ 798,31 não tem direito a requerer o benefício.

O auxílio-reclusão não é pago exatamente no valor de R$ 798,30, isto depende de um cálculo, conforme descrito abaixo:

Valor do benefício - o valor do auxílio-reclusão corresponderá ao equivalente a 100% do salário-de-benefício. Na situação acima, o salário-de-benefício corresponderá à média dos 80% maiores salários-de-contribuição do período contributivo, a contar de julho de 1994.

Então, para quem passou a vida contribuindo com um salário mínimo, provavelmente receberá apenas um salário por não poder se pagar menos que isso, e, quem na vida teve sorte de contribuir com mais de um salário, receberá a média do valor do salário-de-benefício, não ultrapassando o teto máximo da Previdência que atualmente é R$ 3.416,54. Lembrando que na data do recolhimento a renda dele não pode ser superior a R$ 798,31.

Fonte: www.previdenciasocial.gov.br

bella.lluna@ho...

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