Dentro de minha visão superficial da coisa, sempre considerei o carnaval um belo negócio para os grandes blocos e agremiações. Se não o fosse não haveria cada vez mais interessados e investidores no evento, não é mesmo?
Afinal, um sujeito vender um pedaço de pano que deve custar, se muito um real, por mil pilas mostra uma rentabilidade fodástica! Isto sem contar com todos os patrocínios que rolam por aí, isenções e fabulosos perdões fiscais para empresas cujos donos devem poder comprar até aviões com a grana que ganham. Embora isto não seja de praxe pra todas as agremiações carnavalescas.
Vale ressaltar que não tenho nada contra o progresso alheio, muito pelo contrário. Trabalho duro e talento devem ser recompensados.Mas sou totalmente contra tratamentos diferenciados e situações que vão contra a dignidade humana.
Sendo mais claro, falo da situação dos cordeiros e da celeuma causada pelo estatuto do carnaval, motivada, em parte, pelas exigências feitas para a atuação dos cordeiros. O que se pede me parece bastante razoável: luvas, sapatos, comida, protetor solar e auricular. Quem se coloca a contra algo assim deveria tentar voltar no tempo e pleitear uma vaga de feitor de escravos.
A maneira como se tratam os cordeiros dos blocos de carnaval é uma vergonha pública. Uma violência que acaba por gerar outras violências.
Homens e mulhres negras submetidos a um trabalho escroto para o deleite dos brancos. Se valer da miséria de um povo para “oferecer” as piores condições de trabalho e ainda se pavonear de gerador de empregos não é nada bonito de ser ver.
Triste Bahia! Mas quem liga? Quem se importa? Com o rabo cheio de cachaça ninguém ta nem aí com nada além de saber qual será o próximo bloco que vai passar.
domingo, 10 de janeiro de 2010
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